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| Uma nova Ética ou uma Bioética para o século XXI? |
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INTRODUÇÃO O homem acreditava que a natureza proveria sempre as suas necessidades, não havendo a menor preocupação com a sua preservação ou com a extinção de várias espécies animais e vegetais. Nessa situação, quem defenderia a natureza? O homem acostumado a ser o centro do planeta buscou desde sempre dominar a natureza para servi-lo, não percebendo que a natureza não é um objeto, uma “coisa”, mas algo vivo e que pode ser ou não parceira da sobrevivência do homem, dependendo da forma como essa relação homem/ meio ambiente é vivenciada. Passaram-se vários séculos e somente no século XX cientistas começaram a divulgar suas descobertas relacionadas à questões de sobrevivência do planeta e, conseqüentemente, do homem que habita a Terra. Ninguém se preocupou muito na ocasião, talvez por não acreditar na finitude dos recursos naturais e agora, muitos anos depois, estamos vivenciando as conseqüências dessa descrença. Mudanças climáticas, doenças decorrentes dessas mudanças, dificuldades em várias áreas da vida humana e, mais ainda, o perigo de o homem ficar sem água, sem alimentos, enfim, de não sobreviver. Pode-se definir a Ética como normas de comportamento que regulam a vida em sociedade, ou seja, estabelece formas de comportamento aceitas pelas pessoas que convivem em um mesmo grupo social. Algumas dessas normas são aceitas em qualquer grupo: não se pode matar o outro, não se pode roubar o outro, etc. Apesar dessa aceitação, existem circunstâncias em que essas normas podem ser infringidas e isto é aceito como normal: numa guerra ou em defesa própria o homem “pode” matar o outro. Da mesma maneira, os recursos fornecidos pela natureza são usados de forma descontrolada, desde que gere riqueza; não existe uma ética que defenda os interesses do ambiente natural. As pesquisas científicas trouxeram novas tecnologias sem nenhuma preocupação com a possibilidade de causar danos ao meio ambiente. Foram feitos inúmeros testes nucleares, usados artefatos em guerras que prejudicaram a natureza, além de causar inúmeras mortes, rios foram desviados de seus cursos naturais, represas foram construídas e um sem fim de atividades semelhantes foram sendo praticadas sem considerar as conseqüências para o meio ambiente. Os cientistas visando novos conhecimentos e, especialmente os empresários visando cada vez mais lucros, continuam agindo sem pensar na sustentabilidade ambiental. A Ética, ao longo do caminho, vem sofrendo mudanças, acompanhando as transformações na sociedade; os valores se modificam e até o próprio ser humano deixou de ter um valor intrínseco; ele não vale mais pelo que é e sim pelo que possui. Portanto, o que é valorizado é o dinheiro e o consumo passa a ser altamente estimulado para que as pessoas exibam as suas posses. A aparência agrega mais valor, não importando os meios usados para consegui-la. Caráter, responsabilidade para com o outro, integridade passam a ser valores sem muita importância para a grande maioria das pessoas. A bioética se preocupa com os avanços da ciência em geral, com maior enfoque em todas as situações que envolvem a vida, não somente do ser humano, mas de todos os seres vivos que habitam o planeta e, conseqüentemente, o meio ambiente. Portanto, a sobrevivência humana é alvo das preocupações dessa ciência, que chama a atenção para a questão de um compromisso mais global perante o equilíbrio e preservação da relação entre os seres humanos e o ecossistema e com a vida no planeta. Os povos antigos viam a natureza como algo sagrado e que devia ser temido. Com a evolução do conhecimento, o homem consegue compreender e até prever fenômenos produzidos pela natureza, intervindo de forma muitas vezes desordenada e predatória, o que causou a situação em que se encontra o meio ambiente: modificado e devastado em grandes áreas. Para esclarecer melhor os termos natureza e meio ambiente, usados como sinônimos nesse artigo, a autora buscou em DULLEY (2004) uma explicação: É portanto a capacidade do homem de pensar a natureza, pensada em seu sentido amplo (envolvendo todas as espécies conhecidas), que lhe permite pensar todos os meios ambientes compondo o ambiente. A natureza e o ambiente seriam, portanto, duas faces de uma mesma moeda, sendo que o segundo teria uma conotação mais prática ou de utilidade, não só para o homem, mas também para qualquer espécie”. Somente a conscientização de todos relacionada ao tamanho do desafio que o planeta está enfrentando poderá contribuir mais profundamente para que se aja com rapidez para salvar o planeta e seus habitantes. GAARDER (2005), diz que falta vontade política e ele está certo. Os dirigentes dos países mais importantes do mundo ainda não adquiriram a consciência de que estão destruindo a vida; continuam somente interessados nas questões que envolvem a economia, esquecendo que sem os habitantes do planeta, a economia deixa completamente de ter importância. Enquanto os políticos não agem, faz-se mister que cada individuo habitante desse planeta assuma o seu papel de contribuinte para a sustentabilidade do meio ambiente, educando-se, educando os seus filhos e cobrando dos governos atitudes que considerem o ser humano como o mais importante motivo da existência desse planeta. As imensas desigualdades entre as classes sociais, a violência, o alto consumismo, a desconsideração pelo outro, que anula a dignidade humana só contribuem para piorar essa situação de catástrofe do planeta.
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