Avaliação

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É muito difícil participar de um processo de avaliação sem conhecer a história do aluno. O professor é avalista do esforço pedagógico, mas precisa conhecer a estrada para ajudar a construir o caminho. Avaliar é endossar o prosseguimento de uma caminhada pedagógica. Avaliar é compartilhar do processo de educação. Avaliar não é julgar valores. A avaliação da aprendizagem, por ser avaliação, é inclusiva, dinâmica e construtiva. Exames podem: excluir, frustrar, selecionar, marginalizar, reprovar.

Um dos fatores fundamentais para a avaliação é a prática constante do perdão. Como? É isto mesmo, exercício de perdão. Muitas vezes, confunde-se avaliação do desempenho com vingança e isto interfere no processo de aprendizagem. Pra falar a verdade, a “avaliação” escandalosa classifica o Brasil como um dos maiores reprovadores de alunos do mundo!
 
– Hoje vocês estão conversando muito, então vou dar uma prova, um exercício…
 
A criança se encanta quando pode ter a alegria de compartilhar do próprio crescimento, porque ela quer a liberdade de dizer que não se saiu muito bem numa tarefa e ouvir do professor: “vamos fazer outra!” – “como vocês gostariam de ser avaliados?” Prazer maior ainda é participar de tudo isto, avaliando-se. Ou chega a ser maravilhoso o professor anunciar que está aberto para aceitar sugestões da turma sobre outras atividades para compor com ela na recuperação do “fracasso” do ensino.
 
A avaliação se compõe com o perdão, para aqueles que numa primeira explicação não entenderam o assunto, e o dever de explicar novamente outras vezes, sem debochar, discriminar, excluir, banir. Explicar novamente, não sete vezes, mas setenta vezes sete…
 
A nota, conceito ou sentença de morte dos sonhos de alguém está nas “poderosas” mãos do educador. É relevante para a felicidade de alguém que se crie uma via de retorno na estrada pedagógica, cheia de setas indicando: oportunidades! O educador deve saber voltar! Voltar lá onde alguém se perdeu. “Buscar a ovelha perdida”. Sem este procedimento não há educação. Pode haver promoção ou reprovação.
 
Educação é muito além disto. Para que vale a educação, se ela não apresentar recursos para resgatar os que se perdem pelo caminho?
 
Uma avaliação que encanta tem o educador como um dos avalistas. Esse aval é fundamental e um crédito para alguém prosseguir e permanecer no esforço de melhorar.
 
Henry B.Adams (1838-1919) afirmou: “Um professor influi para a eternidade; nunca se pode dizer até onde vai sua influência”.
 
É preciso conhecer a estratégia de representação individual: visual, auditiva, cinestésica. Que pistas indicam a parte do sistema nervoso que a pessoa está usando para alcançar harmonia, encantamento e sucesso nas atividades? Os visuais tendem a ver o ambiente em imagens, falam mais depressa, põem palavras em imagens e muitas vezes nem se importam em falar corretamente. Usam expressões assim: “Não vi com bons olhos”. Os auditivos são mais seletivos no uso das palavras. Têm voz ressoante, lenta, rítmica e uniforme. Usam bastante expressões como: “Isto não soou bem para mim”. Os cinestésicos são mais lentos. Reagem, com veemência, ao menor toque. Usam metáforas do universo material. Estão sempre “agarrando” alguma coisa e sempre costumam dizer que “precisam entrar em contato com alguém”. Ou quando alguma coisa não ficou muito clara dizem que aquilo não pegou muito bem.
 
A avaliação não pode excluir ninguém da escola! Ela é diagnóstico para correções e avanço. O boletim não pode ser atestado de óbito dos sonhos de ninguém. A criança reprovada vê o mundo de cabeça para baixo!
 
As “provas” podem ser muito prejudiciais se forem adotadas como único instrumento de apreciação, como forma de pressão, opressão, repressão, reprovação.
 
A avaliação deve ser um processo negociado, compartilhado, revisto. Apesar do receio de alguns professores, toda pessoa é capaz de se autoavaliar de forma precisa, desde que orientada corretamente.
 
Uma ficha completa com os dados informativos sobre o estudante deve ser feita na sua chegada à escola. Com dados atualizados continuadamente. O estudante não tem uma ficha de dados para a avaliação e aí se escuta muito assim:
 
– Professor, o senhor está me devendo um ponto.
– Que ponto, menino?
 
Para não cometer injustiça, o professor deve estar muito certo da avaliação realizada. Para isso, quanto mais registros houver para a emissão daquela conceituação, melhor.
 
Somente através da coleta de dados, da análise do desempenho, da autoavaliação, da parceria com os pais e profunda reflexão, pode-se chegar ao resultado, com seus valores. E, sobretudo, corrigir e direcionar a caminhada pedagógica.

 Autora: Ivone Boechat
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