Degradação do Solo

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RESUMO

O solo tem sofrido grandes interferências promovidas pelo manejo incorreto, essas interferências reduzem sua qualidade e a produtividade, resultando na destruição da

degradação do solo

Degradação do Solo

estrutura do solo. A ação do homem inicia o processo de degradação (desmatamentos, queimadas, poluição…) e o intemperismo de forma natural amplia os impactos. O solo é naturalmente protegido por cobertura vegetal, nele existem microorganismos que ativam o ciclo biológico, no momento em que o homem promove a retirada da vegetação, o solo fica exposto à ação de ventos, chuvas, raios solares, altas temperaturas, que destroem a estrutura do solo, boa parte dos microorganismos morrem deixando o solo improdutivo. Os seres vivos são dependentes dos benefícios gerados pelo solo, o solo é um recurso natural essencial para a manutenção da vida, assim para amenizar os impactos gerados pelas atividades desempenhadas no solo, foram criadas práticas de conservação que visam à manutenção das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. O objetivo da implantação de técnicas de conservação é a proteção de solos em bom estado, e recuperação de solos degradados. Assim os solos em atividade podem ser utilizados por mais tempo de forma sustentável, poupando os solos intactos, sem a necessidade de desbravar novas terras ou destruir sua vegetação para a implantação de atividades econômicas.

Palavras-chave: Impacto ambiental, Conservação do solo, Sustentabilidade

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O solo como recurso natural gerador de energia, no qual os seres vivos são dependentes para a manutenção da vida, vêm sofrendo impactos que resultam em sua degradação. Essa degradação do solo ocorre por toda parte.

Devido à extrema importância que o solo representa para todos os seres viventes, em especial para o homem, é que se atentou para a necessidade de manutenção, proteção e conservação desse recurso.

A degradação do solo aumenta em conseqüência do desenvolvimento e crescimento populacional. Para atender a demanda de alimentos e materiais, o solo e a biodiversidade são destruídos. As atividades realizadas, que necessitam de ocupação do solo são os principais fatores contribuintes para a degeneração do mesmo.

O crescimento de áreas urbanas e pólos industriais, pecuária e agricultura, extração de minérios, são atividades que sobrecarregam a capacidade do solo de gerar condições para a vida. Essas atividades manejadas incorretamente podem provocar grandes impactos no solo e em seus componentes (flora e fauna).

A destruição do solo gera preocupações para ambientalistas e profissionais da área (agrônomos, engenheiros ambiental, engenheiros florestal, biólogos, geólogos…), o solo é a base para qualquer atividade, por isso deve-se utilizá-lo de forma racional.

A degradação do solo é antiga, com o aumento populacional, ela vem aumentando e o modo de vida dos seres humanos, faz com que o homem utilize o solo de maneira incorreta. O uso sustentável visa a utilização de forma racional, de acordo com a capacidade produtiva, sem destruir ou degradar, mantendo as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo em equilíbrio.

As técnicas utilizadas como forma de conservação e uso sustentável, são adaptadas a cada tipo de solo, clima e vegetação do local. As medidas de conservação são variadas e podem ser de caráter vegetativo, edáfico e mecânico, todas elas visam à preservação, conseqüentemente a diminuição dos impactos gerados pelas atividades estabelecidas no solo.

Proteger o solo de efeitos degradantes, disponibilizando nutrientes e água, cria condições para o uso sustentável. O solo deve ser usado de forma correta para que seja evitada sua degradação. O processo de degradação do solo é um problema a nível mundial, que geram conseqüências ambientais e econômicas significativas. O ideal seria prevenir o desgaste do solo. Um solo degradado, mesmo após interferências com adubos e fertilizantes não terão a mesma capacidade produtiva de um solo preservado. Além das praticas de conservação existem leis que orientam o uso do solo, independente da atividade a ser aplicada.

O uso sustentável do solo e o manejo correto das atividades são fundamentais para a manutenção dos ecossistemas terrestres e da vida propriamente dita.

1 TIPOS DE SOLO

O solo é um recurso básico que suporta toda a cobertura vegetal de terra, sem a qual os seres vivos não poderiam existir […] O solo, além da grande superfície que ocupa no globo, é uma das maiores fontes de energia para o grande drama da vida que, geração após geração de homens, plantas e animais, atua na terra. (BERTONI e LOMBARDI, 1990, p. 28)

Para Bertoni e Lombardi (1990) o solo é a superfície da crosta terrestre, ele é formado por minerais, água, seres vivos e rochas em estado de degradação. A palavra solo é originária do latim “solum” que significa parte plana e inferior de um todo. O solo encontra-se exposto a eventos químicos, físicos e biológicos, e essa exposição promove a decomposição de rochas sendo de forma natural e lenta pela ação da natureza, podendo ter interferência do homem.

[…] O solo é produto da desintegração e decomposição de rochas pelo trabalho da água, temperatura, ar, organismos, etc. Êsse processo é considerado como um tipo de erosão. É uma erosão extremamente lenta; processada sôbre a rocha, recebe o nome de erosão Geológica. É útil, porque dela resulta a formação dos solos. (INSTITUTO CAMPINEIRO DE ENSINO AGRÍCOLA-BRASIL, 1973. p.48)

Para Bertoni e Lombardi (1990), o solo é definido como a coleção de elementos naturais dispostos na superfície terrestre, composto por matéria orgânica que dá suporte, sustentação e nutrição às plantas. Por se formar a partir da desintegração de rochas, os solos possuem características que os diferenciam entre si, sendo elas determinadas por alguns fatores:

a) Tipos de rocha que originou o solo; b) O clima; c) Quantidade de matéria orgânica; d) Tipo de vegetação que cobre a superfície;

O solo pode ser classificado de várias formas, de acordo com a topografia, coloração, textura, fertilidade, permeabilidade entre outros aspectos. Para o Instituto Campineiro de Ensino Agrícola – Brasil (1973) os principais solos podem ser orgânicos, minerais, arenosos, limosos e argilosos:

a) Orgânicos: quantidade de matéria orgânica superior a 20%; b) Minerais: quantidade de matéria orgânica inferior a 20%; c) Arenosos: quantidade de areia superior a 50%; d) Limoso: quantidade de limo (areia fina) superior a 45%; e) Argiloso: quantidade de argila superior a 40%;

Podem também ser classificados a partir da sua formação:

a) Granítico: originados do granito; b) Basáltico: formados a partir de basalto; c) Arenítico: formados a partir de arenito;

A classificação do solo é importante para seu estudo e uso adequado. Para a aplicação de técnicas de conservação e para o uso adequado e sustentável, deve- se conhecer a estrutura do solo para que se utilize o solo de acordo com suas necessidade e limitações.

2 DEGRADAÇÃO DO SOLO

O solo depauperou-se, enfraqueceu-se, desgastou-se; nele a planta não encontra mais aquêle ambiente favorável que precisa, não pode mais desenvolver bem as suas raízes, porque ele está raso e duro; não pode mais retirar os alimentos de que precisa, porque ele ficou pobre, ácido, e seco; ele não absorve mais água das chuvas, porque ficou duro, compacto e impermeável […] (INSTITUDO CAMPINEIRO DE ENSINO AGRÍCOLA – BRASIL, 1973, p.41)

A exposição do solo a alguns agentes físicos e químicos, contribui para o processo de degradação, e conseqüentemente ocorre a diminuição da produtividade.

A degradação pode contribuir para a deterioração desse solo, sendo ela por interferência humana ou por fatores naturais. Esse processo diminui a capacidade de suportar e manter a vida. Com a degradação são alteradas negativamente as propriedades e o equilíbrio biológico do solo, retirando a capacidade de produção do mesmo. As formas para se degradar o solo são diversas, as mais comuns são desmatamento, expansão desordenadas de cidades, poluição, uso de substâncias tóxicas e o intemperismo.

De acordo com Bragagnolo (1997), um solo degradado apresenta as seguintes características:

a) Desequilíbrio nutricional; b) Compactação e pulverização (aplicação de líquidos em pequenas gotas) do solo; c) Queda da atividade biológica e dos níveis de matéria orgânica; Além desses fatores um solo degradado apresenta acidificação, salinização, perda de estrutura, diminuição da permeabilidade entre outros. O ideal é prevenir a degradação, pois um solo degradado, mesmo com interferências de adubos e fertilizantes, não terá a mesma capacidade de produção do não degradado.

3 IMPORTÂNCIA DA CONSERVAÇÃO DO SOLO

Segundo o Instituto Campineiro de Ensino Agrícola – Brasil (1973, p.70) “a conservação do solo, é o uso inteligente; é o uso racional do solo, objetivando alcançar o máximo rendimento de maneira permanente”.

Por conservação do solo, dever-se-á entender a preservação e o desenvolvimento, de modo a proporcionar o maior bem para o maior número e pelo maior período de tempo, dos recursos naturais de caráter renovável, quais seja, o solo, as florestas, as pastagens, a fauna silvestre e, em certa extensão, a água. (BERTONI e LOMBARDI, 1990, p. 16)

A utilização do solo de maneira sustentável previne efeitos degradantes e cria condições para o uso consciente, visando à preservação. A ciência da conservação do solo é formada por um conjunto de medidas no qual seus objetivos são a preservação e recuperação das condições físicas, químicas e biológicas do solo. Para que seja mantida a produtividade, precisa-se utilizá-lo de modo sustentável, baseando em princípios conservacionistas, usando o solo conforme seu potencial produtivo e suas necessidades de proteção.

A espécie humana sempre dependeu do solo para a sobrevivência, o qual sendo conservado propicia grandes benefícios à vida. A variedade da alimentação humana advém da imensa área de solos cultivados e atividades agropecuárias. A preservação é necessária e indispensável. De acordo com Bertoni e Lombardi (1990), o problema de preservar o solo juntamente com os recursos naturais é assegurar a produção de alimentos e outros materiais para atender a demanda da população.

Utilizá-lo de forma sustentável seria a solução, por isso foram criadas leis que orientam o uso do solo, seja para explorar, seja para ocupação. Uma dessas leis torna obrigatório que, antes de se proceder à ocupação do solo, é necessário o estudo do ambiente com finalidade de descobrir os possíveis impactos gerados.

Na agricultura existem normas para o uso correto do solo, as quais ainda não são leis, por isso não há a obrigação de cumpri-las, mas já estão sendo usadas por muitos agricultores. O importante é que seja evitado o processo de degradação. O solo é uma fonte natural e deve ser usada de forma adequada e sustentável, para que seja mantida sua produtividade e, portanto, a vida!

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É possível compreender os problemas gerados por impactos ambientais, as mudanças climáticas são os maiores indícios da destruição da biodiversidade. O solo por ser um dos mais importantes recursos naturais é também, o mais impactado. O homem interessados nos benefícios oferecidos, explora o solo de forma incorreta, sem se preocupar com os danos gerados.

Por sua utilidade variada, o solo é essencial para o desenvolvimento de qualquer atividade, assim foram desenvolvidas técnicas para conservar e conter a destruição desse bem.

Durante a pesquisa pude constatar que as técnicas de conservação do solo são efetivas quando manejadas corretamente e que cada solo possui suas características, necessidades e limitações, assim deve se aplicar a técnica adequada levando em consideração as condições climáticas.

As práticas conservacionistas promovem melhorias em solos degradados e mantém a produtividade em solos ainda conservados, mas essas técnicas, ainda, são pouco utilizadas, o ser humano no gera não tem consciência dos problemas ambientais causado por todo e qualquer tipo de degradação. Seu conhecimento a respeito da conservação de recursos naturais, em especial o solo, é baixo, a maioria dos produtores rurais não se preocupa com o bom estado do solo, todos visam os lucros que o solo pode gerar, quando utilizam alguma técnica de preservação, não estão preocupados com a proteção oferecida ao solo e sim o aumento da produtividade de culturas e atividades no geral.

Seria necessário um trabalho de conscientização ambiental a nível mundial, destacando a importância dos recursos naturais e a necessidade de sua preservação, visando a sustentabilidade.

O homem deve reconhecer os impactos decorrentes do uso inconseqüente do solo e da biodiversidade, assim poderá mudar seus hábitos, e logo a situação preocupante em que o meio ambiente se encontra.

Autora: Simone Rodrigues Gonçalves


REFERÊNCIAS BIBLIOGÁFICAS

BERTONI, José; NETO, Francisco Lombardi, Conservação do solo. São Pulo: ICONE, 1990.

BRAGAGNOLO, Nestor, PAN, Waldir, THOMAS, Joaquim Carlos, Solo: uma experiência em manejo e conservação, Curitiba: Editora do autor, 1997.

BRANCO, Samuel Murgel, O desafio Amazônico, São Paulo, 16ª edição, MODERNA, 1989.

GALETIi, Paulo Anestar, Conservação do solo; Reflorestamento; clima. 2. Ed. Campinas, Instituto Campineiro de Ensino Agrícola, 1973.

LEPSCH, Igo F., Formação e Conservação dos Solos, São Paulo: Oficina de textos, 2002.

NEIMAN, Zysman, Era verde?, ecossistemas brasileiros ameaçados, São Paulo: ATUAL, 1989.

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