Água – A Sociedade no Contexto Atual: desafios para o século XXI

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Todos nós somos capazes de perceber, diariamente, com nossos próprios olhos ou por meio das imagens e notícias que nos chegam pelas maiságua seculo xxi diversas mídias, que estamos imersos em um mar de desafios a serem enfrentados se quisermos que a vida em nosso planeta seja mantida, tenha continuidade.

Assim, a seguir, apresentamos alguns desses desafios, considerando, no entanto, que além daqueles aqui evidenciados, existem muitos outros.

Água

Diariamente nos deparamos com notícias sobre a poluição das águas, sobre o descaso e descuido com esse bem tão precioso e fundamental à nossa existência e à de milhares de espécies animais e vegetais.

Como exemplo desse descuido, podemos citar a seguinte notícia, veiculada no site da Cruz Vermelha Internacional, em 2008, no contexto da guerra no Iraque:

“Houve alguma melhora nos últimos meses, tanto na segurança quanto nos serviços essenciais. Um maior número de pessoas tem agora acesso aos serviços de saúde e à água limpa. Mas um número muito maior de iraquianos ainda não tem escolha, a não ser beber água suja e viver em condições insalubres”, afirmou Juan-Pedro Schaerer, chefe da delegação do CICV no Iraque. “Isto leva muito mais pessoas doentes a buscar tratamento em um sistema de saúde que já opera no limite.”

Outra notícia, referente à China, afirma o seguinte:

Autoridades em Pequim afirmaram que 360 milhões de chineses na zona rural estão bebendo água poluída. O governo admite também que mais de 70% dos rios e lagos do país estão contaminados. A notícia é mais um sinal de que o governo do Partido Comunista enfrenta dificuldades para encontrar um equilíbrio entre o acelerado desenvolvimento econômico e o impacto ambiental. Os canais chineses estão desaparecendo. As águas dos rios se escurecem com dejetos industriais e esgoto sem tratamento.O total de pessoas ameaçadas pela água que consomem representa um terço da população das áreas rurais. (BBC Brasil, 2005, grifos no original).

Em relação ao Brasil a situação não é muito diferente. São muitas as notícias que mostram aquilo que Boff (2008) chama de falta de cuidado, de descaso com a natureza, com o Outro. Vejamos algumas dessas notícias:

O drama das crianças indígenas gaúchas, que estão sendo dizimadas pela fome e pela desnutrição, é revelada por uma reportagem que Zero Hora iniciou ontem e termina hoje. A elevada taxa de doenças e mortes entre os indiozinhos de zero a cinco anos tem várias causas, e uma das principais é a qualidade da água consumida pelas comunidades, cujas fontes estão poluídas. As águas das fontes e das nascentes usadas para beber pela população indígena estão causando doenças. Os técnicos suspeitam de que seja devido à contaminação por produtos químicos despejados nas lavouras e pelos dejetos dos moradores das reservas. Os mais atingidos são as crianças, a maioria delas com o organismo debilitado pela desnutrição. (JORNAL ZERO HORA, 07/01/2002 apud pib.socioambiental.org.)

Cerca de 28 mil pessoas ainda morrem no Brasil todos os anos por causa da contaminação da água ou de doenças relacionadas com a higiene. O alerta é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que ontem publicou um levantamento mostrando que investimentos no setor de água poderiam economizar enormes recursos públicos.
No total, os serviços de saúde no mundo poderiam evitar gastos de US$ 7 bilhões por ano se os governos optassem por dobrar seus repasses ao setor de água. Em termos de produtividade e redução de gastos com saúde, o mundo ganharia US$ 84 bilhões por ano se tivesse um sistema de água confiável e tratado.
Para isso, porém, os países precisariam destinar cerca de US$ 11,3 bilhões a mais em investimentos no setor de água, esgoto e sanitários. No mundo, 6,3% das mortes ainda são geradas por doenças que nascem de problemas na qualidade da água e também de falta de tratamento de esgoto. (diariodonordeste, 2008).

Embora a observação de águas poluídas seja corriqueira, não podemos considerar tal fato como algo normal ou natural, pois o natural é a purificação da água por seus próprios ciclos biológicos. A anormalidade – que é a poluição – é fruto de um processo de relação de domínio da natureza pelo homem, é resultado da ação humana, a qual, muitas vezes, é feita de forma impensada, irrefletida.

De acordo com informações disponíveis no site eb1-albergaria-velha,

Ao longo dos séculos os ciclos biológicos asseguraram a purificação das águas, dado que o mar constitui um meio desfavorável à maioria dos germes patogênicos (germes que produzem doenças). Contudo, actualmente, existe um estado de desequilíbrio que favorece o desenvolvimento de organismos patogênicos. A poluição por microorganismos é notória, mas  é de maior gravidade a poluição química.

Como já foi dito no módulo anterior, Boff (2008) afirma que atualmente todas as sociedades estão doentes. Verificamos isso na fala acima. E podemos dizer que as sociedades do presente estão doentes devidos às ações irresponsáveis de cidadãos (sociedade civil) e governantes, pois, embora cada pessoa, particularmente, possa (deva) “fazer a sua parte”, como sustenta a Agenda 21 Local, os governantes devem ter capacidade suficiente para enfrentar o problema da poluição das águas com políticas sérias e conseqüentes, capazes de alcançar a todos; devem, também, agir no sentido de punir as irresponsabilidades das empresas que poluem.

Autora: Ivone Aparecida Dias


Bibliografia

BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela terra. Petrópolis: Vozes, 2008.

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