A mulher e a sua importância para a construção de Sociedades Sustentáveis

INTRODUÇÃO

Pelo lado romântico, a mulher é a flor mais sublime que a natureza deixou na terra pelo seu perfume, pelo seu falar carinhoso e pela sua maneira de conseguir tudo que anseia, porque, como dizem os poetas, a mulher se assemelha a uma rosa que exala perfume nos momentos de mais terríveis dissabores.

Ninguém inspirou mais canções, como nos grandes textos literários, nas telas de grandes pintores, nas poesias de todas as épocas, nos corações dos boêmios, do que a mulher, criação divina para este mundo rebelde que não sabe preservar o presente tão pequeno no tamanho, mas grande na beleza, no amor e na inspiração. Ao parodiar a Bíblia, Deus soube presentear muito bem, quando recompensou Adão com a obra prima que nenhum escultor soube talhar tão eficientemente, sua Eva.

A mulher sempre foi elevada aos mais altos pedestais da pureza, da humildade e da simplicidade, pela sua maneira de ser, de falar e até mesmo de se apresentar frente aos admiradores da singularidade e da beleza.

No encanto da vida, a mulher é a luminosidade que nunca deve se apagar, pois a ausência dela é uma escuridão que não há recurso energético que faça enxergar, mesmo estando no claro. Essa mulher que encanta é a mulher mãe; é a mulher amante e amada e é sem sombra de dúvida, a criação maior da natureza.

Entretanto, a mulher busca espaço e esta é uma atividade política e deve exerce-la com muita eficiência; pois, ela antes de tudo é um ser humano que tem braços, tem pernas, tem cabeça e raciocina como qualquer pessoa do planeta Terra.

A MULHER NA HISTÓRIA

Se traçarmos um panorama histórico, ainda que rápido, constataremos que a sujeição da mulher em relação ao homem vem desde a antiguidade, assim como a luta para serem reconhecidas como gente e terem seus direitos respeitados como seres humanos, não obstante a existência de mulheres que se destacaram, naquelas épocas remotas, em diferentes setores da atividade social.

Se remontarmos à Pré – História veremos que o papel representado pela mulher era tão importante que o do homem, já que cabia a ela a tarefa da coleta de alimentos.

No Brasil, logo após Portugal ter tomado posse destas terras, a mulher européia que para cá veio, teve uma liberdade invejável frente à opressão em que viviam as mulheres na Europa. Isso porque estavam em número bastante reduzido; e portanto, valorizado. As mulheres da classe mais baixa, ou seja, aquelas que não estavam destinadas a se casarem com os homens com algum tipo de posse ou riquezas, aquelas que tinham que trabalhar para viverem, poderiam ir e vir a hora que bem entendessem, poderiam escolher seus parceiros, o pai de seus filhos, se queriam ou não continuarem vivendo com quem estavam. Não havia ainda a presença da Igreja ; portanto, a sociedade era bastante flexível. As mulheres, neste período, criavam seus filhos, os filhos trazidos pelos companheiros, os filhos dos vizinhos quando estes perdiam as mãe se os filhos que os antigos companheiros deixavam para trás quando saiam em busca de ouro. Nossa sociedade estava engatinhando, os homens que para cá vieram estavam em busca de um enriquecimento rápido. Eram verdadeiros andarilhos e, em cada local por onde passavam, deixavam a mulher que os havia recebido de braços abertos e que sabia que, mais dia ou menos dia, seria abandonada. Quando Portugal resolveu colonizar definitivamente o Brasil trouxe a Igreja para organizar e regrar a sociedade e para a mulher foi Imposta uma nova conduta para que fosse aceita na sociedade que surgia.

Sob a organização do Antigo Sistema Colonial, a vida feminina estava restrita “ao bom desempenho do governo doméstico e na assistência moral à família”, fortalecendo seus laços. O homem, por sua vez, tinha seu papel centrado na provisão da mulher e dos filhos, concentrando o poder de decisão na família. Os encargos do matrimônio, no que se refere à manutenção do casal e proteção de bens, cabiam, portanto, ao homem. A essa proteção cabia à mulher responder com obediência.

A sociedade tornou-se patriarcal o homem fazia o que bem entendesse com os seus familiares e agregados. Quando casavam as mulheres saíam do jugo de seus pais para entrarem no jugo de seus maridos, que faziam o que bem entendiam com suas esposas. Aquela que não gerava filhos poderia ser devolvida para sua família, mantida em casa sofrendo toda a sorte de humilhação ou mandada para um convento ou hospício (quando estes foram criados). Sempre com a ajuda da polícia que mediante pagamento de suas despesas as internavam em um desses locais.

Contrariando as normas estabelecidas pela Igreja, defensora primeira do matrimônio, grande parte das mulheres pobres estava inserida num cenário familiar caracterizado pela ausência dos maridos, companheiros instáveis, mulheres chefiando seus lares e crianças circulando em outras casas e sendo criadas por comadres, vizinhas e familiares.

As mulheres passaram a se ver como chefes de suas casas e de suas famílias, já que foram obrigadas a lutar sozinhas por sua sobrevivência e pela sobrevivência dos filhos.

A luta pela sobrevivência familiar determinou uma maior ligação entre mães e filhos no que diz respeito ao trabalho, com a divisão das tarefas cotidianas necessárias para obtenção dos víveres.

É sabido que a I e II Grandes Guerras determinaram maior participação das mulheres nas atividades produtivas, em vista da mobilização dos homens para as frentes de combate. E desde então, e cada vez mais, as mulheres abandonaram o galope de cavaleiros andantes de um ideal meio lírico de libertação, vendedor de ilusões, posicionando-se lado a lado com os homens, na estrada da grande aventura impregnada de desventuras, que desejamos nos leve um dia ao fim da escravidão do mais fraco pelo mais forte.

No século XX vimos a mulher retomar seu antigo papel, voltando a ter participação ativa na sociedade encontrando seu espaço através de muita luta para adquirir seus direitos como cidadã, como trabalhadora, como mulher, como companheira, como mãe. Passando a ser vista, a ser retratada por ela como ela é. Procurando saber, questionando e não apenas aceitando passivamente o que o homem dizia. Transformando-se em cientista, em romancista, em historiadora, metendo-se em qualquer profissão e demonstrando ser tão capaz quanto o homem. Só que temos de ressaltar: não deixou em nenhum momento de fazer o que era exigido das outras mulheres no passado, ou seja, continuou exercendo seu papel de mãe, filha, esposa, amante e amiga.

SITUAÇÃO ATUAL MUNDIAL DA MULHER

Além do papel político, a mulher tem também conseguido um grande avanço dentro da estrutura econômica. A mulher participativa do mercado de trabalho como economicamente ativa, varia muito de região para região, de setor para setor e de país para país. Pois algumas vezes, ou quase sempre ela participa do mercado de trabalho por imposição do marido.

No Afeganistão , as mulheres preferem a dor física à dor da humilhação. A tristeza é velha conhecida destas mulheres. Depois de enfrentar quase duas décadas de guerras, elas foram impedidas pelo Governo de estudar ou trabalhar e o fim das proibições, há três anos, não mudou muito a situação.

Ainda são muitas as mulheres que se atrevem a sair às ruas sem burcas e aquelas que decidiram abandona-la para usar apenas o véu cobrindo a cabeça ainda são vistas com alguma desconfiança por parte da população local. As mulheres se escondem sob a burca o medo da reação de famílias conservadoras, maridos autoritários e até dos velhos talibãs, que mesmo fora do Governo, ainda tentam fazer valer seu ponto de vista.

Na enfermaria de um hospital, a maioria das mulheres não acredita em amor ou em nenhum tipo de sentimento de afetuosidade. Assim como elas, centenas, todos os dias, tomam a decisão de se auto – imolar, no que parece ser um silencioso movimento do protesto das afegãs. Elas se queimam.

Na há estatísticas sobre o problema. Mas o doutor Kamil diz que recebe em Cabul mulheres do país inteiro. É quase um movimento político destas mulheres que não podem gritar de outra forma.

O poder masculino, acima de qualquer lei e além de qualquer limite, mata de alguma forma a condição feminina.

Na Colômbia , com o país em guerrilhas, as mulheres têm poucas opções e as mais sedutoras estão na guerrilha. Segundo Fernando Calado, diretor da Organização Internacional para as Migrações, “de todos que desistem dos movimentos armados e saem do conflito, 30% são mulheres.”

A situação da mulher africana é preocupante. Em pleno século XXI, as mulheres africanas têm 175 mais chances de morrer durante o parto do que as mulheres dos países desenvolvidos, segundo relatório da ONU. Em 2000, 95% das 529 mil mortes de mães nos partos registradas foram de mulheres africanas. Muitas mortes ocorrem pelo atraso em reconhecer que há um problema, pela dificuldade da mãe em chegar um estabelecimento médico ou em receber um atendimento de qualidade.

Segundo Ruth Neto, vice- presidente da Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM), as mulheres africanas estão engajadas desde muito cedo, são poderosas por causa de seu brio, seu valor histórico, sua presença em zonas de guerra, bem como no debate político e muitas vezes fervorosas na sua contribuição para a luta pela libertação dos povos colonizados.

A força e a união das mulheres africanas nas organizações internacionais foi responsável pelo aumento da consciência de libertação de seus povos.

Na África do Sul as mulheres não tem reconhecida sua cidadania, uma vez que a África do Sul continuar a restringir o direito de voto das mulheres baseando-se na raça. Mulheres mestiças, de origem negra só podem votar em candidatos de sua própria raça, que servem no parlamento de pessoas de cor. Nem homens, nem mulheres têm o direito de votar. Essas mesmas mulheres têm sido ativas em exigir o fim do apartheid, do sistema de segregação racial e no estabelecimento de uma nação unitária e não- racial, na qual elas, assim como os homens negros, teriam o direito de votar.

Já na Ásia , quase não houveram campanhas de emancipação feminina na história mundial, sendo Índia e Japão exceções. Na China a emancipação feminina foi conquistada apenas após o estabelecimento da República da China em 1949.

A MULHER E O MEIO AMBIENTE

As mulheres têm assumido o lado mais duro da degradação ambiental. O declínio da fertilidade do solo, estoques de alimentos, água e, em alguns casos, lenha, além da aplicação intensiva de agrotóxicos, faz com que o trabalho diário nas regiões rurais se torne mais e mais pesado. Nos ambientes urbanos e zonas industriais, a poluição e a contaminação por resíduos tóxicos afetam sua própria saúde e a saúde de seus filhos.

Em virtude da maior diversidade de suas tarefas, as mulheres desenvolvem um conhecimento sobre o seu meio ambiente freqüentemente mais compreensivo e inclusivo. A responsabilidade principal pela família tem crescido entre mulheres e isto faz com que sua habilidade seja um elemento cada vez mais importante para o manejo e recuperação do meio ambiente.

Essas responsabilidades frente a dificuldades que afetam a todos fazem com que as mulheres sejam as primeiras a protestar e a agir contra condições de agravamento da degradação ambienta. Isto porque, a divisão sexual do trabalho implica que mulheres e homens possuam diferentes repertórios de habilidades no uso e manejo dos recursos naturais e tenham interesse e responsabilidades diferentes.

A mulher vivencia mais fortemente a necessidade de definir sua cidadania, procurando o cenário propício para expor e impor a sua individualidade. Ao mesmo tempo, porém, luta para proteger da profanação pública aquilo que considera, tanto quanto o parceiro, o núcleo fundamental de sua personalidade, que a faz ser e continuar sendo mulher, com seus valores subjetivos, libidinais e agressivos, imprescindíveis para a plenitude do amor.

Entretanto, não importando quanto sejam inventivas e habilidosas, as mulheres são, mais freqüentemente do que os homens, privadas das possibilidades de usar e administrar recursos naturais, frustrando sua capacidade de prover sua sobrevivência diária e neutralizando a contribuição que possam trazer o manejo ambiental sustentável.

Por sua inumerável forma de participação e atividade dentro da sociedade, com forte influência nas decisões das políticas de desenvolvimento, quer direta ou indiretamente, a mulher não pode ficar à margem da causa ambiental, ao contrário ela está relacionada a ela e conseqüentemente ao desenvolvimento sustentável.

Algumas instituições têm destacado a importância da participação das mulheres em projetos de desenvolvimento sustentável e a educação ambiental tem incorporado as condições reais vividas pelas mulheres, especialmente no ambiente rural.

MULHER IGUAL AO HOMEM. É A SOLUÇÃO?

“As mulheres terão, em igualdade com os homens, o direito de voto em todas as eleições, sem nenhuma restrição.”

Artigo 1- Convenção sobre Direitos Políticos da Mulher

Alguns homens dizem que as mulheres atuais querem ser iguais aos homens, mas não é bem isso. Em contraste com a época da ampla predominância do sistema patriarcal, a mulher do século XXI vai imprimindo mudanças significativas na sociedade, contribuindo para o avanço e progresso social.

As mulheres não buscam serem iguais aos homens, mas reconhecidas como seres humanos, terem seus direitos à vida , vez e voto respeitados.

Em pleno século XXI ainda existe lugares onde a mulher é vista e tratada como posse, como se não fosse ela um ser humano que, juntamente com os homens, faz a história da humanidade no seu dia a dia e cria os personagens dessa história.

Na Conferência de Viena, em 1993, sobre Direitos Humanos que “as mulheres passaram a ser consideradas sujeitos de direitos, bem como tiveram seus direitos humanos reconhecidos como inalienáveis – como parte integral e indivisível dos Direitos Humanos Universais”.

Será que somente após 1993 a mulher é tida como ser humano com direitos e não apenas deveres?

Iguais aos homens? Nunca.

Apenas Mulheres.

MUDANÇA DE PARADIGMAS

A mulher, durante milênios, se enxergou através do olhar masculino. Foram os homens quem determinaram nossa forma de ser e agir, nos fazendo acreditar que sempre havia sido assim, e na sua fala nos transmitiam mentiras e preconceitos que se perpetuam até hoje.

Durante muito tempo não questionamos, não agimos, não exigimos, não nos consideramos capazes porque nos foi incutido que éramos inferiores por não termos as mesmas condições mentais dos homens, sem a mínima capacidade de sobrevivência, se não tivéssemos ao nosso pai, o irmão, o marido, o filho ou qualquer outro elemento do sexo masculino para nos sustentar.

O interessante é que essa cultura preconceituosa e machista atravessou os séculos sem que a mulher percebesse que isto era uma retumbante mentira já que é ela quem dava a unidade familiar, foi ela quem sustentou a família enquanto o homem se ausentava temporária ou definitivamente. A fala disseminada ao longo dos séculos foi de que a mulher era frágil, sem condições de pensar, criar ou sobreviver sem o homem, servindo apenas como um grande útero.

Mas essa cortina de mentiras e preconceito se desfaz diante de nossos olhos e as mulheres estão cada vez mais se conscientizando de sua importância e poder na sociedade.

Mulher, é colocar a culpa no marido insensível e na amante tarada, afinal, levamos uma vida tão limitada, tão árdua, tão injusta...

Queremos todas num único choro e lamento, reclamando de tudo, mas não sem coragem de mudar nada.

Cabe a nós, mulheres livres dessas mentiras, criarmos nossos filhos e filhas a margem desses preconceitos para que num futuro a mulher tenha realmente seus direitos e o reconhecimento que lhe é devido. È nossa a responsabilidade de mudar essa paradigma.

Se você quer a alforria, liberte-se! Lute por sua liberdade.

Ser mulher é o talento mais lindo que a Natureza pôde criar. Geramos e alimentamos vida. Precisamos ser dignas desse talento.

CONCLUSÃO

A mulher na sociedade atual já tem tomado consciência de sua tarefa no mundo político em que está inserida, mas devido as suas condições de fraquezas adquiridas ao longo da história, não avançou eficientemente, como deveria ter progredido, como fizeram em associações bem mais novas e menos numerosas do que a quantidade de mulheres que sofrem o despotismo dos machismos inconseqüentes, que não contém seus momentos de fúria descontrolada.

Já não se pode pensar numa mulher submissa, contudo ela deve compreender sua função social e partir para uma igualdade de participação, tanto no contexto social, como no econômico, tendo em vista que sua atuação de igualdade cada vez mais se concretiza.

A conscientização da mulher como um ser, só se concretizará efetivamente quando ela tiver sua independência política e econômica, tiver consciência de sua real importância e papel na sociedade se livrando de vez da idéia de inferioridade ao homem e assumir ativamente sua responsabilidade na construção de sociedades sustentáveis e na construção da paz.

A mulher está vencendo e deverá vencer muito mais; mas sem a prepotência de companheiras frustradas que brigaram consigo mesma e se debelaram contra aqueles que lhes deram “proteção” durante muito tempo e que hoje está condenado como a fera diante da bela que só oferece amor, paz e tranqüilidade e só recebe violência e desafeto, no pensamento de algumas feministas.

Autora: Thais Cristina de Oliveira Souza

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